Eleições em dois Estados alemães pesam sobre destino de chanceler abalado

Eleições em dois Estados alemães pesam sobre destino de chanceler abalado

Os eleitores de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental desenham ao longo do dia os próximos parlamentos estaduais. Prevê-se, uma vez mais, a ascensão da extrema-direita, corporizada pela AfD, Alternativa para a Alemanha.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Fabrizio Bensch - Reuters

Perto de quatro milhões de eleitores alemães são este domingo chamados a votar em duas eleições regionais, nos Estados de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A prevista progressão da Afd, de extrema-direita, mas também da esquerda dita radical, pode fragilizar ainda mais Friedrich Merz.

A votação deve decorrer até as 18h00 locais (17h00 em Lisboa). As primeiras projeções devem ser conhecidas a partir dessa hora.

Num claro sinal do peso político deste processo, o chanceler alemão, Friedrich Merz, tem convocada uma reunião de emergência da CDU, a sua formação conservadora, para o momento que sucede à divulgação dos primeiros resultados.

Merz cancelou também, de resto, a viagem que contava empreender até Nova Iorque, para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Há duas semanas, a Alternativa para a Alemanha, de extrema-direita, pró-Administração Trump e próxima do Kremlin de Putin, impôs uma pesada derrota à CDU na Saxónia-Anhalt, o seu bastião eleitoral.A popularidade do chanceler alemão tem vindo a resvalar e não vai atualmente além dos dez por cento. Friedrich Merz debate-se atualmente com dificuldades para fazer aprovar reformas económicas em conjunto com os parceiros social-democratas da coligação.

À luz das sondagens, a AfD deve averbar agora novos ganhos, embora menos retumbantes do que há duas semanas, quando o partido ficou à beira de uma maioria absoluta na Saxónia-Anhalt.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, nas margens do Báltico, o partido conservador limita-se, em larga medida, a assistir ao braço-de-ferro entre o SPD, da popular governadora regional Manuela Schwesig, e a AfD.

A Alternativa para a Alemanha chega ao dia da votação com 37 por cento das intenções de voto, ao passo que o SPD obtém 35 por cento. A CDU arrisca-se a ficar aquém dos cinco por cento, resultado mínimo para garantir a representação no Parlamento estadual.

Na cidade-estado de Berlim, o quadro mostra-se menos dramático - mas ainda assim tenso - para a CDU, que surge a medir forças com o partido da esquerda radical Die Linke. Ambos rondam os 20 por cento das intenções de voto, seguidos pela AfD, com 18 por cento.A perder na capital, o chanceler alemão sofrerá um importante revés. Sobretudo de perder para o Die Linke, que o descreve como o “chanceler da austeridade”.


Também a Alemanha se tem debatido com os impactos da escalada dos preços dos combustíveis, potenciada pela guerra movida por norte-americanos e israelitas contra o Irão - ao início da tarde de sábado, o preço médio do diesel atingia os 2,42 euros por litro.

O Governo de Merz anunciou na sexta-feira um desconto fiscal de aproximadamente 17 cêntimos por litro para o outono. E acenou com a discussão de um teto de preços a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

O anúncio do chanceler foi prontamente capitalizado pelo candidato da extrema-direita em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Durante um comício, no sábado, em Schwerin, a capital estadual, Leif-Erik Holm apontou baterias ao que descrever como “piada de mau gosto” e tentativa de “influenciar as pessoas à última hora”.

No decurso deste derradeiro comício da AfD, a agência France-Presse constatou a aparente saudação nazi de uma espectadora, dirigida a contramanifestantes de esquerda.

c/ agências
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